quinta-feira, março 07, 2013

XXV.III.MMXIII


Postumamente escrevendo, como se depois pós plenitude o que coubesse fosse morte.
Depois da fartura, da sensação de preenchimento completo, da ausência de espaços vagos, enfrentar um deserto.
Aqui no alto o ar é rarefeito. Tudo é bonito, mas por dentro toda ressequida. Ressequida mesmo. Ressequida é tão seco quanto declamar Eça de Queiroz e alcançar o topo das paradas de sucesso. Mas, tá reclamando de quê?
De repente de novo somos só eu e eu aqui. A intimidade não é a mesma de quando eu já estava acostumada a desacompanhada ler o mundo lá fora.
Monto um clima, uma ambientação. Simulo conforto. Ao fim de um expediente tedioso, não é difícil se conformar. Não negaria o prazer de estar aqui novamente. As mesmas músicas. O nome do livro. O lugar mental. A confort zone.
A mesma pessoa.
Mais lugares e mais e mais o mundo cresce. (A globalização tem o poder da compactação espaço-temporal, pensem nisso.)
Mais lugares e menos portos seguros. Simplesmente não preciso mais me ancorar a cada baldeação. As melhores viagens nunca terminam. Os destinos mais auspiciosos nunca fazem com que você se sinta em casa.
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